Essa bandeira aqui não: Federação Internacional de Xadrez investiga proibição da bandeira de Israel em torneio
Em comunicado emitido, órgão disse que não foi comunicado sobre a proibição em torneio realizado na Espanha
A Federação Internacional de Xadrez (FIDE) emitiu um comunicado contundente nesta sexta-feira (05/09) em resposta a relatos de que o torneio Bilbao Sestao País Basco, programado para começar na próxima semana, teria proibido jogadores israelenses de competir sob sua bandeira nacional.
A entidade afirmou que não foi informada ou consultada sobre a decisão e prometeu tomar medidas para garantir que seus princípios de igualdade sejam respeitados.
“A FIDE não tinha conhecimento prévio dessa decisão, não tomou nenhuma decisão a respeito e não foi consultada pelos organizadores”, declarou a federação em nota oficial. “Condenamos veementemente qualquer forma de discriminação, incluindo com base em nacionalidade e bandeira. As mesmas regras se aplicam a Israel e seus jogadores, assim como a todas as outras federações-membro que não estão sob qualquer tipo de sanção.”
Segundo a imprensa israelense, citada pelo The Times of Israel, sete enxadristas de Israel receberam uma carta dos organizadores do torneio informando que, por “razões alheias ao nosso controle”, a bandeira do país não seria exibida durante o evento.
A mensagem, supostamente acordada pelo árbitro-chefe da competição e pela Federação Espanhola de Xadrez (FEDA), indicava que os jogadores competiriam sob a bandeira neutra da FIDE, usada em materiais oficiais do torneio. Os organizadores do Bilbao Sestao País Basco não estavam disponíveis para comentários imediatos.
A decisão ocorre em um momento de tensões crescentes relacionadas à guerra em Gaza, onde a campanha militar de Israel contra o Hamas gerou uma crise humanitária descrita por agências internacionais como catastrófica.
O conflito tem alimentado protestos globais e apelos por um cessar-fogo, além de pressionar por negociações para uma solução de dois Estados. Na Espanha, o esporte tem sido palco de manifestações políticas recentes.
Nesta semana, a 11ª etapa da Volta à Espanha, em Bilbao, foi interrompida por manifestantes pró-palestinos que exigiram a exclusão da equipe Israel-Premier Tech da competição.
No xadrez, a FIDE já enfrentou situações semelhantes. Desde 2022, jogadores da Rússia e da Bielorrússia competem sob a bandeira neutra da FIDE devido a sanções impostas após a invasão da Ucrânia por Moscou.
No entanto, jogadores israelenses não estão sujeitos a tais restrições, o que torna a decisão do torneio de Bilbao particularmente controversa.
Em 2018, a FIDE realocou um torneio da Arábia Saudita para a Rússia após críticas por discriminação contra jogadores israelenses, reforçando sua política contra exclusões baseadas em nacionalidade.
A FIDE anunciou que enviou uma solicitação formal aos organizadores do torneio para esclarecimentos detalhados sobre a decisão. A entidade prometeu adotar “todas as medidas necessárias” para assegurar que suas regras sejam cumpridas.
A controvérsia já gerou reações nas redes sociais, com usuários exigindo posicionamento da FIDE e da FEDA. O jornalista israelense Elad Simchayoff, que revelou o caso, destacou a gravidade da situação, enquanto o oficial de xadrez alemão Paul Meyer-Dunker compartilhou evidências de que os jogadores israelenses foram registrados sob o código “FID” (bandeira neutra da FIDE) no sistema oficial do torneio.
O Bilbao Sestao País Basco, conhecido como “XL Open Basque Country Sestao 2025”, é um torneio internacional aberto que conta com grandes mestres, mestres internacionais e outros competidores de diversos países.
Entre os jogadores afetados estão os israelenses IM Guy Levin, IM Yotam Shohat, FM Raem Sherman, FM Erez Kupervaser, CM Nikolai A. Grebennikov, Lavi Shtemler, FM Dana Kochavi e Rem Shlaen, todos listados sob a bandeira neutra.
Enquanto o torneio se aproxima, a comunidade do xadrez aguarda os desdobramentos. A FIDE, que tem histórico de combater discriminações em seus eventos, enfrenta o desafio de equilibrar seus princípios com as decisões locais dos organizadores, em um contexto global de alta sensibilidade política.
Por Enzo Anselmo