Últimas braçadas: Ana Marcela Cunha fica em 6º lugar no mundial e cogita aposentadoria
Campeã olímpica fica fora do pódio nos 10km e desabafa: “Não sei se terei outra chance”
A campeã olímpica Ana Marcela Cunha ficou em sexto lugar no Mundial de Esportes Aquáticos de Cingapura, nesta quarta-feira (16/07), não conquistando a sonhada medalha de ouro na prova de 10 km de águas abertas.
A brasileira cravou o tempo de 2h09min21s90, pouco menos de dois minutos atrás da ganhadora, a australiana Moesha Johnson, que bateu em 2h07s51.
O primeiro lugar é a única conquista que falta na coleção da nadadora baiana, visto que ela já foi campeã mundial nas provas de 5 km e 25 km.
Nos 10 km, Ana Marcela já alcançou a medalha de prata em Barcelona-2013 e a de bronze em três edições do Mundial (Kazan-2015, Budapeste-2017 e Budapeste-2022), somando um total de 16 medalhas na competição.
Criticando a organização do torneio por ter adiado a prova por duas vezes, ela também falou sobre o grande calor e a qualidade da água de Palawan Beach, onde foi disputada a prova, que deveria ter acontecido na última segunda-feira(15/07), às 21h (de Brasília).
Atualmente com 33 anos, Ana Marcela desabafou sobre o seu futuro dentro do esporte: “Óbvio que a gente treina e faz tudo para que seja não só pódio, mas brigar pelo primeiro lugar. Sempre foi um sonho ganhar essa medalha de primeiro nos 10km, ainda não foi e não sei se terei outra chance. Quando eu bati ali, foi um alívio, sabe? A gente está há 36 horas (esperando), parece que é uma brincadeira até com os próprios atletas. Primeiro a preocupação era o calor, a água quente. E depois, do nada, a água com qualidade a desejar”.
Ana ainda fica em Cingapura, pois ainda precisa disputar nesta quinta-feira (17/07) a prova de 5km, e no próximo sábado (19/07), o revezamento misto 4x1500m.
Sobre a possibilidade de ter batido a mão na chegada daquela que pode sua última participação no Mundial de Esportes Aquáticos, a maior nadadora brasileira de todos os tempos simplesmente disse:
“Uma história, né? Há 14 anos, eu estava ganhando a minha primeira medalha em Mundial, depois de não ter me classificado para as Olimpíadas (Pequim 2008), ter sido 11ª nos 10km e sétima nos 5km e vencido os 25, primeira medalha de ouro da história feminina do Brasil em esportes aquáticos. É muita coisa, muita história no total da minha carreira, cinco ciclos olímpicos, quatro Olimpíadas, 12, 16, 20 e 24, campeã olímpica. É tudo isso que passa na cabeça na hora ali de tocar. Ali no final, eu terminei tomando um pouco de distância das cinco primeiras. Eu sabia que tinham cinco na minha frente. Mas eu acho que pra mim é brigar até o final, independentemente se fui primeira, sexta ou vigésima, eu briguei até o final e isso representa muito para mim.”
Por Enzo Anselmo