Botafogo emite nota para rebater informações relacionadas à movimentações da SAF Alvinegra
O Botafogo se manifestou, por meio de uma nota oficial na noite desta terça-feira (24), para rebater informações que saíram na imprensa nos últimos dias relacionadas a movimentações financeiras da SAF Alvinegra com a rede multiclubes de John Textor. Entre os pontos abordados pelo clube, estão informações de repasses feitos ao Lyon vindos do aporte obrigatório da SAF no momento da compra do Botafogo, e transferências relacionadas às vendas de atletas, além da assinatura de John Textor para a liberação do empréstimo recente que o Alvinegro solicitou com investidores para desfazer o transfer ban.
Sobre a transferência de R$110 milhões ao Lyon vindo aporte da compra da SAF, o Botafogo afirmou que foram feitos grandes investimentos no time, maiores do que os previstos em contrato, que o Lyon transferiu valor superior ao Alvinegro e que a contribuição total exigida foi depositada ao Botafogo antecipadamente, quase um ano antes do prazo previsto.
"- A fonte do Jornal O Globo registrou o envio de R$ 110 milhões do Botafogo ao Lyon, mas foi leviana ao não informar que, entre julho de 2024 e fevereiro de 2025, o Grupo Eagle transferiu mais de R$ 233,7 milhões (€38 milhões) ao Botafogo.
- A reportagem preferiu fazer valer a informação da "fonte" - sempre oculta, anônima, nunca revelada. Mesmo ciente de que houve novos aportes, a informação foi ignorada. Fica clara a intenção de passar a imagem de que havia "algo suspeito".
- Quanto à afirmação de que "a SAF pode não ter cumprido o Acordo de Acionistas": o Acordo prevê aporte de 400 milhões de reais, orçamento mínimo anual do futebol de 100 milhões e orçamento geral mínimo de 200 milhões. A contribuição total exigida foi depositada antecipadamente, desde maio de 2024, quase um ano antes do prazo previsto.
→ Em 2025, o orçamento anual geral cumpriu mais de 5 vezes a meta mínima, e o do futebol, mais de 3 vezes.
→ Grandes investimentos em ativos fizeram o valor do elenco (valuation) saltar para cerca de 750 milhões de reais, estimam os sites especializados mais conservadores. A SAF foi muito além e apresentou investimentos significativamente superiores em todos os quesitos.
- Não custa lembrar a reportagem de fevereiro de 2021, que relatava que o Botafogo não tinha sequer bolas para treinar, segundo um ex-dirigente. Hoje, a SAF possui uma das melhores infraestruturas de treinamento, jogo e corporativa do Brasil."
Em relação aos repasses da venda de jogadores como Luiz Henrique, Thiago Almada, Igor Jesus, e outros, a SAF voltou a defender o modelo de caixa único da rede multiclubes, afirmando que não houve qualquer tipo de irregularidade nas transferências. Além disso, o Botafogo acionará na Justiça a Eagle e o Lyon para receber os valores devidos pelo clube francês ao Alvinegro.
"- Apesar do que sugere a reportagem, nas relações de compartilhamento de fluxo de caixa, a SAF Botafogo, o OL e o RWDM jamais cometeram qualquer irregularidade.
- Trata-se de mais uma reportagem com informações internas vazadas com o intuito de gerar confusão e desinformação.
- Em diversas entrevistas, Textor já abordou o tema e explicou os benefícios do fluxo de caixa compartilhado, assim como tornou público o valor que a SAF Botafogo aguarda receber do OL.
- O Botafogo já acionou a Eagle e vai acionar o OL na Justiça para ressarcimento dos valores que lhe são devidos.
- Luiz Henrique, Thiago Almada, Igor Jesus e outros atletas foram recrutados unicamente por este 'Modelo Textor' e agora temos campeonatos para comprovar isso. Este modelo funciona.
- Os problemas financeiros atuais não foram causados por este modelo de negócios único. Eles foram causados pela interrupção intencional deste modelo.
- O Botafogo iniciará em breve um processo judicial contra o OL e os indivíduos que interromperam o modelo de negócios da Eagle para recuperar os valores devidos."
Já sobre a assinatura de Textor para o recebimento do aporte recente feito pela GDA Luma e a Hutton Capittal, a SAF disse que John Textor não deu poderes para si para oficializar o empréstimo, já que com a saída de Thairo Arruda do cargo de CEO, o norte-americano era o único tomador de decisão da estrutura botafoguense.
A nota ainda afirmou que não procede uma informação de que a dívida da SAF estaria em R$3 bilhões. O valor atual da dívida está sendo calculado e será publicado na próxima edição do balanço, mas segundo a diretoria Alvinegra o montante devido é a metade informada, ou seja, a dívida total da SAF do Botafogo estaria em R$1,5 bilhão. a maior parte relacionada a compra de jogadores feita pelo clube nos últimos anos.
"- Uma ata pública de poucas páginas, registrada e divulgada entre os poderes do clube, foi tirada de contexto com o único intuito de causar desinformação.
- Textor não deu poderes para si mesmo. É uma questão natural: o antigo CEO, Thairo Arruda, renunciou ao cargo. Como os dois eram os únicos diretores estatutários, é natural que Textor permanecesse como o único tomador de decisão.
- "Textor elegeu a aplicação da lei suíça para toda receita relacionada com transferências de atletas da equipe profissional do Botafogo", diz a reportagem.
→ A escolha da Suíça é natural e foi uma exigência do novo credor: é onde está sediada a FIFA, entidade máxima do futebol, e onde disputas relacionadas ao futebol são resolvidas.
- "Foi concedida uma procuração à credora (GDA Luma) para praticar todos os atos em nome da SAF", diz a reportagem.
→ Isso não procede. O que ocorreu foi o reconhecimento das garantias à credora caso o empréstimo não fosse pago - uma "procuração com finalidade específica" é uma prática padrão em qualquer transação bancária dessa natureza.
- "Dívida estimada em R$ 3 bilhões" → esse montante não procede. Em 2021, a receita do Clube Social, antes da SAF, era de 118 milhões para uma dívida de 1,2 bilhão (relação de 1 para 10, absolutamente crítica).
→ A SAF, por sua vez, está em um patamar de endividamento mais saudável, atualmente em 1-2 vezes a sua receita.
→ O valor atual da dívida está sendo calculado e será publicado na próxima edição do balanço, mas seguramente é cerca de metade do montante informado.
→ A maior parte da "dívida" são pagamentos a vencer de investimentos realizados na contratação de ativos (jogadores), que ainda vão render frutos no futuro.
→ A dívida relacionada aos jogadores é muito diferente da dívida herdada do Clube Social e deve ser comparada ao valor atual do elenco. Em 2022, o Clube Social entregou à SAF um elenco sem valor econômico significativo. Hoje, o elenco e os jogadores da base do Botafogo valem mais de R$ 1,2 bilhão.
→ O passivo herdado do Clube Social foi reduzido pela SAF em R$ 600 milhões.
→ O Acordo de Acionistas estabelece limitação no nível de endividamento. A SAF está dentro dos parâmetros exigidos e sempre apresentou tais resultados aos acionistas (Eagle e Clube Social), sem questionamentos sobre este limite."