Pausa pra jogar: Itália deseja cessar-fogo mundial durante as Olimpíadas de Inverno 2026
Proposta será enviada para a ONU sobre competição que irá acontecer em 2026
O vice-primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, anunciou nesta terça-feira (7/10) que o país apresentará à ONU uma proposta de cessar-fogo mundial durante os Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026.
A iniciativa, inspirada na tradição antiga grega de trégua olímpica, visa suspender conflitos armados para garantir a segurança dos atletas e promover a paz global.
Os Jogos ocorrerão de 6 a 22 de fevereiro de 2026, e a proposta abrange guerras em curso, como as na Ucrânia e no Oriente Médio.
"Em vista dos Jogos Olímpicos de Milão-Cortina, estamos apresentando às Nações Unidas uma proposta de trégua olímpica para todas as guerras, incluindo a Ucrânia e o Oriente Médio", declarou Tajani à margem de uma conferência internacional em Roma com países da América Latina e o Caribe. "Devemos ser campeões da paz. Como disse o Papa Leão XIV, jamais podemos abandonar a esperança da paz. Roma e a Itália são cada vez mais uma encruzilhada de paz, desenvolvimento e crescimento".
O anúncio coincide com o segundo aniversário do ataque do Hamas a Israel, em 7 de outubro de 2023, que matou 1.200 pessoas e desencadeou uma guerra em Gaza com mais de 67.000 vítimas palestinas.
Tajani expressou apoio ao plano de 20 pontos do presidente dos EUA, Donald Trump, que promoveu conversas indiretas entre israelenses e militantes do Hamas na segunda-feira (6/10).
Apesar da devastação humanitária, vários países ocidentais – exceto a Itália – reconheceram formalmente o Estado palestino, endossando as aspirações por uma pátria independente.
Na Ucrânia, o conflito com a Rússia, o maior da Europa desde a Segunda Guerra Mundial, dura mais de três anos e meio, custando centenas de milhares de vidas.
Apelos semelhantes da ONU e dos organizadores olímpicos por tréguas globais foram ignorados desde os Jogos modernos de 1896, incluindo Paris 2024, apesar da tradição iniciada nos anos 1990.
A proposta italiana remete à Grécia antiga, onde facções beligerantes depositavam as armas durante os Jogos para permitir a viagem segura dos atletas a Olímpia.
Se aprovada, a trégua de Milão-Cortina poderia ser um marco simbólico e prático para a diplomacia, reforçando o papel da Itália como mediadora de paz.
A transmissão dos Jogos será pelo canal SporTV e ge.globo, com cobertura completa para o público brasileiro.
Por Enzo Anselmo