“Um erro estúpido”: Jogador de basquete pode ser condenado a pena de morte por compra de medicamento ilegal na indonésia
Jarred Shawn importou goma de cannabis para tratar doença de Crohn
O jogador americano Jarred Shaw, de 35 anos, um dos maiores nomes do basquete na Indonésia, vive um pesadelo desde maio deste ano.
Preso por tráfico internacional de drogas após ser flagrado recebendo uma encomenda com mais de 130 gomas de cannabis na entrada de seu prédio em Jacarta, Shaw corre o risco de prisão perpétua ou até pena de morte.
A Indonésia, conhecida por sua política de tolerância zero com substâncias ilícitas, não poupou o atleta, apesar de sua carreira de sucesso no país.
Shaw, que defende o Tangerang Hawks na liga nacional indonésia, foi detido ao descer para pegar o pacote, importado ilegalmente da Tailândia – país vizinho onde o jogador costuma passar férias e períodos de intertemporada devido às leis mais flexíveis sobre cannabis.
Campeão da liga local e com mais de mil pontos marcados em três temporadas, o americano alega que as gomas eram para uso medicinal, tratando sua doença de Crohn, uma inflamação intestinal crônica incurável.
Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, Shaw se defendeu com veemência. “Uso a cannabis para fins medicinais. Tenho uma doença inflamatória chamada doença de Crohn, que é incurável. Não há medicamento além da cannabis que pare minha dor de estômago”, declarou.
Ele revelou que suportou dores intensas durante jogos na Indonésia, mas um agravamento do quadro o levou a importar as balas comestíveis.
O isolamento e o desespero da prisão também foram relatados pelo atleta. “Tem gente me dizendo que vou passar o resto da vida na prisão por conta de balas comestíveis. Nunca passei por uma situação como essa. Os dois primeiros meses detidos foram os piores momentos da minha vida. Me sentia desamparado e sozinho, não queria levantar”, lamentou Shaw, que teme as severas punições do sistema judiciário indonésio.
A Indonésia aplica penas draconianas para crimes relacionados a drogas: posse simples pode resultar em até 12 anos de prisão, enquanto tráfico internacional abre portas para perpétua ou execução.
Na época da prisão, as autoridades locais realizaram uma coletiva de imprensa para detalhar a investigação, que visa desmantelar uma suposta rede internacional de distribuição. O pacote foi rastreado até a Tailândia, reforçando as acusações contra Shaw.
O caso ganhou repercussão global, atraindo o apoio do Last Prisoner Project (LPP), uma organização americana dedicada a reparar danos da criminalização da cannabis por meio de assistência legal e advocacy.
Donte West, advogado de Shaw, enfatizou a urgência: “A cannabis não mata, mas a posse dela pode. Precisamos dar o máximo de atenção a este caso, na esperança de que uma resolução positiva estabeleça um precedente poderoso. Estou empenhada em garantir que Jarred volte para casa, para sua mãe”.
Antes do incidente, Shaw era ídolo na Indonésia, onde se naturalizou e se tornou referência no basquete local. Sua detenção chocou fãs e colegas, que destacam seu impacto positivo no esporte.
No entanto, nada atenuou a rigidez das leis: o jogador permanece detido, aguardando julgamento, com o risco de ver sua carreira e liberdade irrevogavelmente comprometidas.
O caso de Shaw reacende debates sobre a legalização medicinal da cannabis em países asiáticos e a disparidade de leis regionais.
Enquanto a Tailândia avança em reformas, a Indonésia mantém sua postura inflexível, servindo como alerta para estrangeiros. Atualizações sobre o processo judicial serão acompanhadas de perto, com esperanças de clemência pela condição médica do atleta.
Por Enzo Anselmo