Com quase 200 projetos de arquitetura em produção, Na Régua leva esperança a famílias de baixa renda
Na ponta do lápis, já estão listados os itens necessários para tirar um sonho antigo do papel: cimento, areia, revestimentos e outros materiais que, na quantidade certa, vão transformar para melhor a casa de Carmen Lucia, moradora da comunidade Marcílio Dias. Ela é uma das quase 200 beneficiadas por projetos de assistência técnica gratuita que estão sendo produzidos e entregues por arquitetos e engenheiros do ‘Na Régua - arquitetura acessível, moradia digna’.
“Fico muito feliz em poder receber o projeto da minha casa em mãos, porque agora me sinto segura da quantidade que devo comprar em material e do quanto vou gastar na reforma da minha casa. Eu queria muito fazer os dois quartos e ficava ressabiada de quanto e do que precisaria, mas agora já sei a quantidade de tudo para não ser passada para trás", declarou emocionada.
A iniciativa oferece à população de baixa renda que vive em comunidades da capital e da Baixada Fluminense, acompanhamento de arquitetos e engenheiros para projetar reformas, sugerir quantidades e especificar materiais baratos para melhorias habitacionais, com bom custo-benefício pensado nos moradores. Criado pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Infraestrutura e Obras, a ação faz parte do Programa Casa da Gente e acontece em parceria com a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
Em três meses, o projeto já tem 15 escritórios montados conforme a Lei Federal de Athis nº 11.888/2008 - que assegura assistência técnica gratuita - nos seguintes territórios: Mangueira, Providência, Cajueiro, Serrinha, Buriti Congonhas, Marcílio Dias, Brás de Pina, Acari, Rocinha, Queimados - Morro do Kisuco, Morro da Paz e Vila Coimbra, Parque Maré, Vila Kennedy e Jacarezinho.
O secretário de Infraestrutura e Obras, Max Lemos, destaca a importância do serviço gratuito nesses territórios para contemplar famílias que sempre quiseram reformar suas casas mas não sabiam por onde começar. “Todos os dias temos entregado projetos a famílias que querem mudar para melhor o local onde vivem, mas não tinham condições de contratar um arquiteto ou engenheiro. Esse é um dos braços do Casa da Gente que entra na comunidade e se aproxima da população”, declarou o gestor.
Quase 30 famílias com projetos entregues
Assim como Carmen Lucia, outras 26 pessoas de várias comunidades já têm em mãos projetos com potencial de melhorar a salubridade de seus lares. No total, estão em processo de produção outros 165 projetos. O subsecretário de habitação, Allan Borges, ressalta a importância do projeto na vida das pessoas. “O Na Régua nasce para apoiar a saúde e a assistência social, contribuindo com o rompimento da reprodução das desigualdades sociais e sanitárias”, ressaltou o subsecretário.
Durante algumas das reuniões comunitárias realizadas no mês de março, foram entregues projetos de Athis aos moradores de Marcílio Dias, Mangueira e Serrinha, onde o morador Carlos Eduardo, residente há mais de 29 anos da comunidade, também compartilhou da alegria de receber o projeto. “Eu conheci o projeto Na Régua através do articulador da área que me levou até o escritório, onde eu pude agendar uma visita em casa para ganhar meu projeto. Agora eu posso melhorar meu banheiro da forma mais barata pro bolso”, contou o morador da Serrinha.
Para solicitar o serviço de assistência técnica do Na Régua, basta ser morador de algum dos territórios em que o projeto tenha o escritório local instalado, ser residente do local há pelo menos dois anos e ter renda mínima de seis salários mínimos. Após essa etapa, as equipes agendam visitas até a casa dos moradores interessados para avaliar as necessidades do imóvel e o que precisa ser mudado, tudo pensado em conjunto com a família.
O atendimento acontece de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h:
– Mangueira: Rua General Bento Ribeiro, nº 4 – Fundação Leão XIII
– Providência: Ladeira do Barroso, 229
– Serrinha: Rua Mestre Darcy do Jongo, nº 162 – CUPA
– Cajueiro: Travessa Central do Sossego, 39 – Associação dos Moradores
– Buriti Congonhas: Rua Macunaíma, nº 209 – Vaz Lobo
– Marcílio Dias: Avenida Lobo Júnior, nº 83
– Acari: Rua Guaiuba, nº 210 A
– Rocinha: Ciep 303 Ayrton Senna da Silva – Autoestrada Engenheiro Fernando McDowell, nº 15 – São Conrado
– Parque Maré: Rua João Araújo, nº 117 – Associação de Moradores do Conjunto Rubens Vaz
– Brás de Pina: Rua 51, quadra D3 – Associação de Moradores da Santa Edwiges
– Queimados: Avenida Irmãos Guinle, 1497 – salas 104, 106 e 108 – Centro
– Vila Kennedy: Rua José Toledo de Oliveira, 255
– Jacarezinho: Rua Nossa Senhora das Graças, nº 128
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