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Minha Casa Minha Vida Frei Caneca: moradores começam a assinar contratos dos futuros apartamentos

 16/06/2014 - 16:01h - Atualizado em 16/06/2014 - 16:10h

Imóveis do Conjunto Zé Keti e Ismael Silva serão destinados ao reassentamento de famílias desabrigadas por chuvas, áreas insalubres e de vulnerabilidade social


 Os futuros moradores do Conjunto Habitacional Zé Keti e Ismael Silva, construído no terreno do antigo presídio Frei Caneca, no Estácio, Zona Norte do Rio, começaram a assinar na última quarta-feira (11) os contratos dos apartamentos. O empreendimento faz parte do programa Minha Casa Minha Vida, do governo federal, e foi realizado com o Governo do Estado por meio da Secretaria de Habitação e a CEHAB (Companhia Estadual de Habitação). Possui 998 unidades que serão ocupadas da seguinte forma: 65% por famílias cadastradas pela Prefeitura do Rio após ficarem desabrigadas pelas chuvas que em 2010 atingiram as comunidades Rocinha, em São Conrado; Prazeres, em Santa Teresa; Turano; Santos Rodrigues e Azevedo Lima, no Complexo do São Carlos, na divisa entre Estácio e Rio Comprido.

 

Os 35% restantes atendem a indicações da Defensoria Pública do Estado, dentre elas 20 famílias de índios que estavam na ocupação Maracanã; da comunidade Sinimbu, que ocupam um prédio do Governo Federal próximo ao Morro da Mangueira; da comunidade do Cajueirinho, (nas cercanias da Estação Central do Brasil), além de famílias da ocupação Mem de Sá que sofrem ação de despejo para o cumprimento de decisão judicial de reintegração de posse. Todas possuem renda bruta de até R$ 1.600 e, de acordo com as diretrizes do programa, tiveram seus cadastros aprovados pela Caixa Econômica Federal, financiadora do empreendimento.



Cícera Maria da Conceição, a índia Iracema Pancararu, de 47 anos, foi uma das primeiras a sortear a unidade em que vai morar. Após sair da ocupação Maracanã, ela ficou abrigada em Jacarepaguá e agora está ansiosa pela mudança.


– Fui despejada minha vida inteira, não acreditei quando soube que chegou a hora receber uma casa – contou Iracema, que é artesã.


Depois de passar um longo período vivendo de favor e, posteriormente, aluguel social, após perder a casa que morava no Laboriaux, na Rocinha, a auxiliar de serviços gerais Eni Maria dos Santos, de 53 anos, também disse que demorou a acreditar vai ter novamente uma casa própria.

 

– Estava dormindo quando minha casa caiu. Foi no meio da noite e chegou a me atingir, tenho cicatrizes na cabeça e em outras partes do corpo. Foi muito triste, mas sobrevivi. Depois consegui um barraco para morar, mas pegou fogo. Aí, tive de morar de favor até sair o aluguel social e desde então eu sonho com o dia de ter uma casa novamente. É uma sensação de alívio – disse Eni.

 

O empreendimento tem 43,5 mil metros quadrados de área construída, com 48 blocos de cinco pavimentos e 20apartamentos em cada e dois blocos com 19 apartamentos cada. Os imóveis medem 47 metros quadrados e contam com dois quartos, sala, banheiro, cozinha e área de serviço. Todos receberam acabamento interno com pisos de cerâmica e azulejos, além de contarem com caixas de luz individuais e disjuntores independentes.


O investimento total é de R$ 62.879.926,72 dos quais R$ 11.247.544,44 são a contrapartida do Governo do Estado do Rio de Janeiro, por meio da Secretaria de Estado de Habitação e a CEHAB. Batizados de Zé Keti e Ismael Silva (em homenagem a dois expoentes compositores cariocas criados no Estácio), os conjuntos têm guarita, centro comunitário, quadras poliesportivas, áreas livres gramadas, 200 metros quadrados para o cultivo de hortas comunitárias, um depósito de lixo e cinco postos de coleta complementar.

 

Histórico
Antigo endereço de um dos maiores complexos penitenciários do estado, o terreno de 66 mil metros quadrados (avaliado na época em R$ 100 milhões) no Estácio, Zona Norte do Rio, foi destinado a projetos de moradia de interesse social em 2011. O contrato foi assinado em 2012 e as obras levaram cerca de um ano e meio para serem concluídas.


Os futuros moradores terão acesso a imóveis localizado em área urbana com acesso fácil a vias de transporte e próximos de hospitais, escolas e comércio.


Um local com mais de 100 anos de história


Durante mais de um século, o terreno abrigou o complexo penitenciário que começou a ser construído no século XIX (1850) por Dom Pedro II e foi inicialmente chamado de Casa de Correção da Corte. Desde 1919 foram registradas diversas tentativas de desativar o lugar, mas isso só aconteceu em 2006, com a transferência dos últimos detentos para o Complexo de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste.

Coube ao Governo do Estado, a partir de 2008, a iniciativa de demolir os oito prédios que compunham o complexo, em 13 de março de 2010. Além de internos comuns, estiveram presas ali personalidades importantes da história do país, como o escritor Graciliano Ramos, o ativista político Luiz Carlos Prestes e a então mulher, Olga Benário.


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