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Jornada da Estrela: professores do CE Brigadeiro Schorcht viajam à Patagônia

 04/03/2013 - 10:39h - Atualizado em 21/05/2013 - 16:50h

Motivação e óleo reciclado a bordo de um Mercedes 58. Alunos acompanham aventura pela internet


Fotos: Divulgação

 

O desejo de motivar seus alunos a enfrentarem desafios na vida estudantil e profissional – aliado ao gosto pessoal pela aventura – levou três professores do Ensino Médio do Colégio Estadual Brigadeiro Schorcht a promoverem uma jornada pela América do Sul. A viagem, a bordo de um carro Mercedes-Benz 58, foi movida a óleo de cozinha reciclado em mais de um terço do percurso.

 

Batizada de Jornada da Estrela, a ‘expedição’, iniciada em janeiro deste ano, levou os professores Gilmar Guedes, Marco Aurélio Berao e Robson Silva Macedo a percorrerem 22.720km. Desse total, 8000 km foram abastecidos com o combustível alternativo criado pelos estudantes.

 

Durante 37 dias, os docentes visitaram 29 cidades do Uruguai, Argentina e Chile. No retorno ao Brasil da empreitada, a recepção organizada pelos alunos e professores contou com a presença do cônsul geral adjunto do consulado da Argentina no Rio de Janeiro, Alejandro Verdier.

 

O objetivo principal da viagem foi coletar dados para serem trabalhados transversalmente em todas as disciplinas, abordando os temas nas diversas matérias a partir do material produzido pela expedição. Em uma segunda etapa, o projeto prevê a montagem de uma exposição de fotos e a produção de um vídeodocumentário sobre a expedição.

 

Os alunos participaram do planejamento da viagem viabilizando a coleta de óleo de cozinha utilizado como combustível. O resultado mostrou o interesse dos jovens nas propostas de soluções sustentáveis para o meio ambiente: cerca de oitocentos estudantes contribuíram com a coleta e muitos participaram do processo de reciclagem.

 

Para acondicionar os 200 litros de óleo produzido com a colaboração dos alunos, os professores criaram um segundo tanque para o combustível alternativo e usaram bombonas. Em duas etapas da viagem, eles conseguiram reabastecer com mais 300 litros de óleo de fritura fornecido por parceiros mobilizados pelas redes sociais. Em Mendoza, um empresário que desenvolve vários projetos ambientais cedeu uma parte e, em Viedma, o dono de um restaurante armazenou o óleo que foi processado no local.

 

Tanque cheio e malas prontas, os professores deixaram a unidade escolar sob os votos de boa viagem dos alunos. Em direção ao sul do país, estiveram em São Paulo, Curitiba e, em Santa Catarina, em Mafra e Lages. Entrando no Rio Grande do Sul passaram por Vacaria, São Marcos e subiram a serra gaúcha, passando por Montenegro onde reabasteceram com óleo de fritura reciclado. Passaram por Caxias do Sul, Porto Alegre e Pelotas. Chegaram ao Uruguai pela cidade de Chuy, cruzaram o Rio da Prata em um navio, entre Sacramento e Buenos Aires, e seguiram até a Patagônia Atlântica. Passaram por Mar Del Plata, Baía Blanca, Viedma, Carmen de Patagones, Trelew, Comodoro Rivadávia, Rio Grande, Rio Gallegos, San Sebastián e finalmente, Ushuai, na Terra do Fogo, completando a primeira parte da expedição.

 

O percurso ofereceu um cenário privilegiado. Os professores puderam observar guanacos, condores, lebres, pumas, tatus e registrar imagens da fauna e flora dos diversos biomas da Patagônia. A viagem ofereceu ainda a visão de geleiras, desertos, glaciares, florestas e reservas, estepes, montanhas, planícies, mares e lagos salgados e sulfurosos. Tudo registrado em mais de 20 mil fotos feitas pelo professor Robson, que é fotógrafo.

 

No retorno, foram de Ushuai até Mendoza, de um extremo ao outro da Argentina. Conheceram Calafete, Perito Moreno, Junin de los Andes e Zapala. No Chile, cruzaram o Estreito de Magalhães, cordilheira dos Andes, Aconcágua e viram os desertos na Patagônia Andina. Também estiveram em Punta Arenas e Puerto Natales. Em Córdoba, foram recebidos por representantes do consulado brasileiro e deram entrevistas sobre a jornada para os jornais locais.

 

Regressaram por Passo de Los Libres, na Argentina e, a caminho do Rio de Janeiro passaram pelas cidades brasileiras de Uruguaiana, São Borja, São Miguel Das Missões, Passo Fundo, Concórdia, União da Vitória, Vitória do Palmar, Curitiba, São Paulo, São José dos Campos, entre outras.

 

O professor de Filosofia, Gilmar Guedes, dono do Mercedes 58 e um veterano em viagens pelo sul do continente, conta que, na maior parte da viagem, eles acamparam em barraca de camping e enfrentaram variações climáticas intensas, mas que as dificuldades foram sempre superadas em nome do espírito pedagógico e esportivo.

 

– Suplantar as dificuldades que uma viagem como essa impõe, exige disciplina e força de vontade. E é isso que vamos mostrar aos nossos alunos nessa segunda etapa do projeto. A grande mensagem é fazê-los perceber que é preciso determinação e até mesmo uma série de renúncias para alcançarmos nossos objetivos. Isso vale para concluirmos nossos sonhos, seja finalizar o Ensino Médio ou entrar em uma universidade.

 

Os resultados da jornada já estão sendo trabalhados pelos colegas do Brigadeiro Schorcht. Professores da unidade já estão utilizando o tema da viagem para suas aulas: em Química, o processo de aproveitamento do óleo já serve de base para explicar alguns conceitos e, em Língua Espanhola, os textos das entrevistas durante a viagem estão sendo trabalhados pelos alunos.

 

Durante o percurso, os professores foram abordados por equipes de TV, deram entrevistas para as televisões de Mendoza e Santa Fé jornais e rádios locais. O carro chamava a atenção e eles foram reconhecidos por transeuntes que queriam tirar fotos com eles e colaborar na empreitada.


Os alunos acompanharam toda a viagem pelas redes sociais. Os viajantes postavam cerca de vinte fotos por dia, descrevendo a experiência de cada etapa.

 

Agora, o projeto vai trabalhar as disciplinas do Currículo Mínimo nas exposições e no documentário.

 

– Sem dúvida, foi uma experiência emocionante para nós professores, mas poder dividir com os nossos alunos e toda a comunidade escolar a satisfação de um desafio vencido e usar esse exemplo para incentivá-los a perseguir seus sonhos, é mais gratificante ainda. A grande mensagem que queremos trabalhar em sala de aula é que, se três professores conseguiram alcançar o "fim do mundo", literalmente, com poucos recursos e com um carro antigo movido a óleo de fritura, os alunos também podem alcançar o que desejarem se depositam energia naquilo que fazem – conclui o professor.

 

O professor de Biologia, Marco Aurélio Berao, explica que, após a edição das fotos será possível trabalhar diversos assuntos relacionados a fauna, flora e meio ambiente. Ele conta que foram muitos os registros importantes para ilustrar as aulas e explica momentos inesquecíveis.


– Um dos momentos mais marcantes das observações de viagem foi na reserva de Punta Tombo. Visitamos um centro de interpretação sobre a vida dos pinguins do Magalhães e sua colônia com milhares de ninhos. E ressalta – Viajar para a Patagônia não é uma viagem comum, mas um sonho. É um lugar único no mundo. Na região, encontramos lagoas de cor turquesa, vales, praias belíssimas e, a poucos quilômetros, imensas geleiras com mais de 70 metros de altura. Com essas imagens, vamos contribuir para a motivação dos alunos e mostrar que quem ousa vai mais além, até mesmo ao “fim do mundo”.

 

O mapa da Jornada

http://goo.gl/maps/lJbq3

 

 

 




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