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Idoso do Abrigo Cristo Redentor reencontra irmã após 40 anos

 24/10/2017 - 13:37h - Atualizado em 24/10/2017 - 13:37h
 » Geovana Martins

Seu Antônio recebeu a visita da irmã mais velha, Vera Lúcia. Os dois se agarraram. Se beijaram, se apertaram e não queriam mais se soltar.


Antônio Lúcio da Glória é o tipo do sujeito que não pode engrossar o coro dos que odeiam segunda-feira. A mais recente delas (23/10) foi absolutamente especial. Na verdade, uma das mais marcantes dos seus 66 anos. Morador do Abrigo Cristo Redentor, em Bonsucesso, Seu Antônio recebeu a visita da irmã mais velha, Vera Lúcia. Os dois se agarraram. Se beijaram, se apertaram e não queriam mais se soltar. Mãos unidas o tempo todo. Tinham motivos de sobra para ficarem tipo carne-unha: não se viam há 40 anos.


Em pouco mais de duas horas de papo, eles queriam lembrar de tudo o que viveram juntos. Queriam contar tudo o que passaram longe um do outro. Ali, era como se o tempo tivesse parado pra eles.


- Meu irmão foi muito levado quando criança - lembrou Vera, nostálgica, passando as mãos sobre a cabeça dele, como se dissesse "esse aprontou muito".


Entre palavras, gestos e carinhos, Vera buscava entender como seu irmão tinha vivido esses 40 anos. Casou? Teve filhos? Como veio parar no abrigo?


Com a calma de um pacato senhor de 66 anos, Seu Antônio foi contando tudo. Sem pressa, sem afobamento. Casou, sim. Teve dois filhos e trabalhou numa padaria depois que saiu da casa do pai, em São Paulo, para vir para o Rio de Janeiro.


Não perdeu a serenidade nem ao contar o capítulo mais dramático de sua vida, um atropelamento na Central do Brasil, que lhe custou a visão e sérios problemas de memória.


Com a vida fragilizada pelo acidente, Seu Antônio passou a pular de abrigo em abrigo. Há dois anos, chegou ao Cristo Redentor. Encontrou o carinho que buscava. Diz ter sido tão bem acolhido que abre parênteses na sua história para agradecer.


- Tive a sorte de vir parar aqui. Fui bem tratado, recebi amor. E eles é que me ajudaram a encontrar você, Vera - emocionou-se.
De narrador, Seu Antônio passou a ouvinte. Vera também quis contar tudo o que viveu. Com a memória mais intacta aos 67 anos, explicou que a separação entre eles e os outros dois irmãos aconteceu depois que seu pai decidiu se mudar para São Paulo. Ela bateu pé e ficou no Rio. Por aqui, montou uma enorme família, com nove filhos, 20 netos e três bisnetos.


- Quero que você conheça todos eles, meu irmão. Seu aniversário é no próximo mês, vamos fazer uma festa especial para você! - comemorou.


- Então quero uma festa do Botafogo e do Corinthians, meus times - rebateu ele, arrancando sorrisos de quem acompanhava o encontro.



A missão do Abrigo

Coube a Cintia de Lima Oliveira, assistente social do Abrigo, contar como conseguiu reunir os irmãos novamente.


- Eu precisava saber que tipo de relação ele tinha com a família, saber os vínculos, saber os dois lados da história. E perguntei para o Seu Antônio se eu poderia procurar algum parente. Ele me disse que tinha uma irmã e que sentia muita saudade dela.


Feliz ao receber o aval para buscar a irmã, Cintia se empenhou a fundo. Para ela, missão dada é missão cumprida.
Rodou delegacias. Mas os dados estavam sempre desatualizados. Garimpando nas redes sociais, enfim, encontrou o perfil do filho da Vera Lúcia. Entrou em contato e conseguiu juntar os dois novamente.


- Esse é o ganho: trazer de volta o sorriso para essas pessoas - destacou Cintia, sem conseguir esconder a emoção.


Mais idosos sem referência familiar


Assim como Seu Antônio, o Cristo Redentor tem outros 45 idosos sem referência familiar. E um dos trabalhos da equipe é reunir parentes.


- O trabalho é árduo. Unimos toda a nossa equipe em busca dos paradeiros de algum parente para podermos realizar cada dia mais esses encontros. É emocionante promover isso - afirmou Tania Lima, responsável pelo Abrigo.


O secretário Gustavo Tutuca comemorou o reencontro e ressaltou a importância do trabalho dos assistentes sociais.


- Quero agradecer e parabenizar toda a equipe do Abrigo Cristo Redentor. Apesar de todas as dificuldades enfrentadas, podemos trazer a felicidade para os nossos idosos com essa união familiar - destacou.


O Abrigo Cristo Redentor é uma entidade vinculada à Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Desenvolvimento Social.




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