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Ao lado de Ban Ki-moon, Minc critica ´esquizofrenia ambiental´ de países ricos
21/06/2012 - 00:00h - Atualizado em 22/06/2012 - 14:52h
» Sandra Hoffmann
Minc foi um dos participantes do painel Liderança e Sustentabilidade para o Mundo Urbano em 2030, no Pavilhão Rio, no Parque dos Atletas, representando o governador Sérgio Cabral.
Ao participar hoje (21/6) de painel que teve como destaque o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, o secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, arrancou aplausos da plateia ao criticar o esforço dos países mais ricos em angariar recursos para serem investidos em instituições financeiras e empresas, mas sem assumir compromissos mais fortes para a proteção ambiental.
Minc foi um dos participantes do painel Liderança e Sustentabilidade para o Mundo Urbano em 2030, no Pavilhão Rio, no Parque dos Atletas, representando o governador Sérgio Cabral. Para o secretário do Ambiente, estamos presenciando uma “esquizofrenia planetária”:
“De um lado, tivemos a reunião do G20, com os países mais ricos do planeta discutindo e angariando um fundo de US$ 450 bilhões para injetar em empresas e em instituições financeiras. Do outro lado, temos a Rio+20, uma reunião com 190 chefes de estado em que não se conseguiu recursos para a proteção dos oceanos, para a proteção da biodiversidade. Eu acho que essas duas vertentes não poderiam estar tão separadas. Isso gera uma esquizofrenia. Daí, eu pergunto: se o planeta derreter, se as ilhas submergirem, em que planeta estas empresas e estes bancos vão investir os 450 bilhões de dólares que conseguiram no G20? É como se tivéssemos dois planetas: um, econômico, e o outro, socioambiental”, disse ele, sob intensos aplausos de um auditório lotado.
No painel, Minc prestou solidariedade ao esforço das cidades e dos gestores que quererem estabelecer um compromisso para um mundo sustentável, destacando que o Rio de Janeiro apoia essa meta ambiental. O secretário destacou então alguns importantes programas socioambientais que o Governo do Estado está implementando nas comunidades pacificadas do Rio, citando, como exemplo, o programa Fábrica Verde, de inclusão digital.
“A partir de computadores usados que foram doados, jovens da comunidade pacificada do Complexo do Alemão estão sendo capacitados na manutenção e na montagem de computadores que, posteriormente, são doados para a própria comunidade”, destacou o secretário.
Em seu discurso, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon disse que ações realizadas em níveis regional e local são essenciais para uma política global de desenvolvimento sustentável. Assim como outros participantes da mesa do painel, Ban Ki-moon destacou o papel das cidades para resolver graves problemas ambientais que, em última instância, foram criados pelos próprios centros urbanos.
Segundo ele, é preciso andar cada vez mais perto de governos locais e de líderes em todo o mundo para criar modelos de ação que podem ajudar a criar sustentabilidade.
"Cada país é uma soma de cidades, e as soluções passam por governos locais. A maior parte dos problemas relacionados à sustentabilidade se manifesta exatamente nas cidades, e portanto é nas cidades que devem surgir as soluções para os problemas”, destacou Ban Ki-moon.
O evento promovido hoje no Pavilhão Rio foi organizado pelo Iclei (sigla em inglês de Governos Locais pela Sustentabilidade, uma associação global de governos locais que defende ações ligadas ao desenvolvimento sustentável).