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Parque Estadual da Lagoa do Açu nasce com potencial para turismo

 24/03/2012 - 10:00h - Atualizado em 24/03/2012 - 10:00h


Depois de cinco anos de luta, o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), vinculado à Secretaria do Ambiente, anunciou oficialmente nesta semana a criação do Parque Estadual da Lagoa do Açu, entre São João da Barra e Campos dos Goytacazes, na Região Norte Fluminense. A mais nova unidade de conservação do Estado do Rio tem 8.251 hectares, mais do que o dobro do Parque Nacional da Tijuca, no Rio. O parque abriga um enorme banhado, o Banhado da Boa Vista, uma lagoa, importantes áreas de restinga e uma extensa faixa de praia, local de desova de tartarugas marinhas. A região ainda é local de pouso e nidificação de aves migratórias e abriga uma grande variedade de espécies ameaçadas de extinção.A luta pela criação do parque foi encabeçada pelo diretor de Biodiversidade e Áreas Protegidas do Inea, André Ilha, que também pratica montanhismo nas horas vagas.

- Para quem não acompanhou o longo processo de sua criação, este parque foi muito mais trabalhoso do qualquer outro, devido às imensas pressões econômicas e políticas que tivemos que enfrentar, mas agora é realidade. A criação do parque também vai proporcionar oportunidades para o desenvolvimento do ecoturismo na região, protegendo áreas que podem ser utilizadas para a prática de esportes como canoagem e windsurf. - vibrou Ilha.

Em 1992, a região foi elevada à condição de Reserva da Biosfera pela Unesco. O Ministério do Meio Ambiente, através da Portaria 126, de 27 de maio de 2004, passou a considerá-la como alta prioridade para a conservação da biodiversidade, recomendando, inclusive, a criação de uma unidade de conservação. As áreas alagadas do futuro parque também são importantes: o Banhado da Boa Vista, situado próximo ao Farol de São Tomé, é reduto de espécies endêmicas de peixes e sítios de pouso e nidificação de aves migratórias.

A Comissão Brasileira de Sítios Geológicos e Paleobiológicos (Sigep) classificou a Lagoa Salgada como um sítio geológico e paleontológico, devido à única ocorrência de estromatólitos (vestígios minerais de atividade microbiana de épocas passadas) do Brasil e, provavelmente, da América do Sul. Ocorrências semelhantes foram constatadas até o momento na Austrália, China e Estados Unidos, inclusive no Parque Nacional de Yellowstone.