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Macacos comemora um ano de pacificação e desenvolvimento econômico

 30/11/2011 - 11:02h - Atualizado em 30/11/2011 - 11:03h
 » Por Marcelle Colbert

Comunidade já tem associação comercial com 192 comerciantes cadastrados


A pacificação do Morro dos Macacos, em Vila Isabel, trouxe mais do que tranquilidade aos seus 30 mil moradores. Um ano após a chegada da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), comemorada nesta quarta-feira (30/11), a comunidade que já foi uma das mais violentas da Zona Norte se transformou em uma região economicamente ativa com disputados pontos comerciais. A comunidade, que ganhou a Associação Comercial e de Prestadores de Serviços do Morro dos Macacos em outubro, já tem 192 empresas formalizadas.

 

A iniciativa de criar uma associação para regulamentar os micro e pequenos empresários surgiu durante um patrulhamento de rotina feito pelos policiais da UPP. Os PMs fiscalizaram a legalidade dos estabelecimentos comerciais e constataram que os cerca de 400 empreendimentos da comunidade eram informais. Agora, a Associação Comercial pretende regularizar todos os comerciantes. Para atrair mais associados, irão realizar no próximo sábado (3/12) o I Festival Gastronômico Comida de Birosca.

 

- Os comerciantes e prestadores de serviço do morro eram informais, não havia organização, o que dificultava a expansão dos empreendimentos e o aumento do lucro. Realizamos palestras com empresas parceiras, como o Sebrae, sobre empreendedorismo. Através de projetos como o Empresa Bacana, que oferece apoio na legalização de comércios, os comerciantes se cadastraram para conseguir os seus alvarás - afirmou o comandante da UPP dos Macacos, capitão Felipe Barreto.

 

O presidente da Associação Comercial e de Prestadores de Serviços do Morro dos Macacos e comerciante, Flávio Duarte, é um das centenas de moradores da comunidade que estão gerando renda e emprego depois da pacificação. Flávio formalizou seu negócio de família e transformou sua padaria em uma mercearia, e instalou ainda o primeiro caixa eletrônico 24 horas da comunidade. Com o alvará, o agora microempresário conta com a ajuda de cinco funcionários com carteira assinada.

 

- Era tudo muito difícil antes da UPP, porque os fornecedores não vinham na comunidade por medo. Fizemos parcerias que seriam impossíveis antes, como a instalação do caixa eletrônica. Sou dono da padaria há oito anos e sempre sonhei com o alvará, que hoje é a minha maior vitória. E a tendência é aumentar a procura por aluguel de comércios na região, porque estamos cada vez mais profissionais - disse Flávio.

 

Para o comerciante Severino Correia, de 45 anos, a inauguração de uma Unidade de Polícia Pacificadora ajudou não apenas no crescimento econômico local, mas também na valorização de imóveis e no aumento do potencial turístico da comunidade. Há anos, o dono do Bar do Bilzinho esperava abrir o seu pequeno negócio. Hoje, o comerciante conseguiu realizar um antigo sonho, a independência econômica.

 

- Tenho orgulho de ter o meu barzinho, que está crescendo e virou uma vendinha. Tudo isso legalizado. Agora, ainda temos uma associação comercial para nos assessorar. Vamos nos beneficiar muito com a parceria entre todos os comerciantes. Nossos imóveis serão valorizados. A pacificação nos deu mais força para conseguir mais fornecedores, e até mais clientes, porque os moradores do asfalto voltaram a frequentar o morro - contou.

 

Depois de conviver com a violência durante décadas, a vendedora de doces Najara dos Santos comemora a recuperação de sua comunidade, que começou a receber ações sociais e obras de infraestrutura dias após a pacificação, possibilitando o desenvolvimento econômico da região. Para ela, a ocupação do Estado e o fim da criminalidade significam o resgate de seus diretos e o início de um futuro mais digno para sua família e vizinhos.

 

- É muito bom ser a dona do próprio negócio. Eu trabalhava em casa cuidando de crianças, mas decidi abrir uma lojinha de doces há um ano, porque sabia que a comunidade ia melhorar e essa seria a minha chance de crescer junto. Mas eu não imaginava que íamos conseguir montar uma associação dos comerciantes em tão pouco tempo. Isso me dá mais força para crescer e aumentar a minha vendinha - afirmou.

 

Empresária do asfalto sobe o morro

 

Moradora do Grajaú, bairro vizinho ao Morro dos Macacos, Fernanda Manuela Pimentel aproveitou a pacificação para abrir uma pizzaria no conhecido shoppinho da comunidade, que já conta com 42 quiosques. Para a empresária, inaugurar a Pizzaria Italian Mix foi uma questão de compromisso com os moradores do morro: durante anos, Fernanda foi gerente de uma pizzaria no bairro, que se recusava a fazer entregas nos Macacos por causa da violência.

 

- Fiz questão de abrir, há três meses, o meu negócio dentro da comunidade. A criminalidade afastava os moradores do asfalto, mas hoje isso mudou. Queria montar uma pizzaria de qualidade para a população, que antes não tinha acesso a esse serviço. Espero que mais empresários tomem essa iniciativa. O ponto comercial é ótimo e estou sempre lotada de clientes - ressaltou Fernanda, que mora na região há 34 anos.

 


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