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Saúde realiza cirurgias intrauterinas inéditas

 15/05/2018 - 19:21h - Atualizado em 16/05/2018 - 08:41h

Instituto Estadual do Cérebro e Maternidade Escola da UFRJ fizeram parceria


 Luzes, equipamentos e instrumentos por todos os lados. Médicos, enfermeiros e técnicos se espalham pela sala, onde no centro uma mulher de 39 anos e 24 semanas de gestação começa a ser preparada para cirurgia. O feto ainda não está em idade gestacional para nascer, mas o pequeno ser vai passar pela primeira cirurgia de sua vida, ainda dentro do útero da mãe. A cena acontece no Instituto Estadual do Cérebro (IEC), no Centro do Rio. O projeto, parceria entre a Secretaria de Saúde e a Maternidade Escola da UFRJ, é pioneiro no Estado do Rio e já realizou a cirurgia em cinco pacientes, desde o final do ano passado.

– Através dessa parceria estamos oferecendo uma nova perspectiva para essas crianças e suas famílias, disponibilizando uma cirurgia de alta tecnologia na rede estadual sem qualquer custo a mais para os cofres públicos. Estamos fazendo história no Instituto Estadual do Cérebro e na saúde do Estado do Rio de Janeiro. Em parceria com a equipe da Maternidade Escola da UFRJ podemos fazer muito mais com os mesmos recursos e reunindo os melhores profissionais da rede pública de saúde – disse o secretário de Saúde, Sérgio Gama.

Durante quase 12 horas, a equipe formada por 14 profissionais multidisciplinares, entre eles três obstetras especialistas em medicina fetal, dois neurocirurgiões e dois anestesistas, correu contra o tempo para corrigir a má formação congênita no fechamento das estruturas que protegem a coluna vertebral do bebê operado. A técnica conhecida como cirurgia fetal a céu aberto para correção intrauterina de mielomeningocele fetal por mini-esterotomia – Técnica de Peralta consiste em colocar o útero para fora do corpo da mãe e, por um pequeno orifício, os habilidosos médicos fazem a correção fechando a pele que protege a medula.

excelentes resultados

A técnica inovadora criada pelo médico Fábio Peralta, coordenador de medicina fetal do Hcor e Pró Matre de São Paulo, já foi realizada em mais de 140 pacientes, com excelentes resultados e foi trazida agora para o Rio pelo diretor médico da Maternidade Escola da UFRJ e coordenador da Maternidade do Hospital Caxias D’Or, Jair Braga.

Reconhecida desde 2015 pela comunidade científica, a cirurgia também está disponível na rede estadual de saúde do Rio de Janeiro através dessa parceria entre a Secretaria de Saúde e a maternidade.

– Durante um ano, estudei com o professor Fábio e ele me ajudou muito com a cirurgia, vindo operar conosco os primeiros casos. A técnica original, realizada desde 2011, abre uma grande parte do útero, cerca de 8 centímetros, enquanto a desenvolvida pelo professor Peralta reduz essa incisão para 2,5 a 3,0 centímetros, diminuindo os índices de complicações maternas e mantendo os resultados fetais da técnica original. Essa parceria é fundamental para que possamos dar acesso ao tratamento ao maior número possível de crianças – afirmou o médico Jair Braga.

O neurocirurgião pediátrico do IEC Gabriel Mufarrej estudou o procedimento por 10 anos e realiza a cirurgia com ajuda de um microscópio.

– Antigamente retirava-se o feto do útero para realizar o reparo na espinha, o que resultava em um alto número de mortalidade. Deste modo, com o feto operado dentro do útero, interferimos o mínimo possível no seu ambiente, tendo um maior número de cirurgias bem sucedidas– disse o médico.


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    2 fotos | Saúde | 15/05/2018

    Saúde realiza cirurgias intrauterinas inéditas no Estado



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