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Jovens de comunidades apontam benefícios da pacificação

 03/11/2013 - 11:21h - Atualizado em 03/11/2013 - 16:26h
 » Soraya Batista, da UPPRJ

Serviços públicos, projetos e facilidades de consumo se destacam


“Eu moro aqui há cinco anos e não penso em me mudar tão cedo. A comunidade está muito mais calma, não precisamos mais ter medo de andar nas ruas. Além de tudo, meus amigos também estão aqui. Se eu fosse para outro lugar, me sentiria deslocado.”

 

Afirmação é do jovem Allan de Oliveira, 17 anos, morador do Salgueiro, que fala com orgulho da comunidade onde mora. Ele conta que, depois da implantação da UPP, o local ficou muito melhor, com mais segurança e mais serviços públicos chegando à comunidade.

 

Allan tem o perfil do jovem morador de comunidades do Rio que, segundo estudo “Geração C: Especial Favelas Cariocas”, do Instituto Data Popular, apresentam mudança no perfil socioeconômico e valorizam muito a comunidade onde vivem. Se antes eram tímidos, acuados pela violência e pelos preconceitos impostos pela sociedade, hoje eles mostram uma postura bem diversa.

 

A pesquisa mostra que 85% dos jovens entrevistados gostam do lugar onde moram; 80% têm orgulho de morar na comunidade; e 70% continuariam a morar na mesma localidade até se sua renda dobrasse. Outro detalhe importante da pesquisa: 77% dos jovens planejam reformar, ampliar e pintar suas casas. Mais: 53% dos jovens que moram em comunidades pacificadas apontam melhorias nesses ambientes nos dois últimos.

 

Depois da implantação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), segundo a pesquisa, os jovens demonstram que apoiam as mudanças ocorridas nas comunidades onde moram. E mais: são empreendedores, ativos economicamente e estão fazendo a diferença no seu núcleo de origem. Ao mesmo tempo em que quebram paradigmas e lutam pelos seus direitos na sociedade.

 

Luan Fontes, de 18 anos, mora no Salgueiro desde que nasceu. O jovem que atua como promotor de eventos na comunidade conta que o local se modernizou muito, principalmente nos últimos anos.

 

- O Salgueiro está bem mais seguro e, além disso, as ruas estão asfaltadas e tem mais serviços para os moradores. Gosto muito daqui, não pretendo me mudar tão cedo. Mesmo achando que muita coisa precisa melhorar. A comunidade precisa de mais espaços culturais e mais cursos voltados para os moradores - conta.

 

Investimentos

 

A escolha dos jovens por permanecer nas comunidades onde vivem é resultado da série de investimentos públicos e privados que estão mudando o perfil dessas regiões. O Governo do Estado, a prefeitura, entidades civis como a Firjan e o Sebrae, além de ONGs oferecem hoje programas e projetos que englobam ações culturais, esportivas, sociais e econômicas.

 

O grande leque de projetos dá esperança para jovens como Carla Cristina da Silva Pires, de 25 anos, moradora do Morro do Alemão. Esperando o quarto filho, ela conta que depois da pacificação as coisas “começaram a acontecer” na comunidade e espera que todos os seus filhos possam usufruir de um ambiente mais seguro e com mais oportunidades.

 

- Hoje o Alemão está bem mais calmo, não tenho mais medo de sair de casa e ser atingida por uma bala perdida. Tudo aqui na comunidade melhorou depois da pacificação, temos mais serviços públicos e projetos voltados para os moradores Quero criar os meus filhos aqui e agora sei que vai ser muito mais fácil - diz.

 

Consumo

 

Os jovens também aparecem como os maiores responsáveis pela movimentação da economia das comunidades pacificadas, segundo um estudo do Instituto Data Popular. Boa parte do consumo desse público ocorre dentro dos locais onde moram, principalmente as compras do dia a dia. Já as aquisições que envolvem pesquisa e planejamento são realizadas fora do ambiente onde residem.

 

No quesito consumo dentro das comunidades o estudo aponta serviços de recargas de celular (81%); barbearia/salão de beleza (81%); e produtos em mercados/ padaria (74%). Compras de beleza e perfumaria geralmente são feitas próximas à comunidade (62%). Em estabelecimentos como lanchonetes/ restaurantes, as compras são feitas em locais mais distantes. Já a aquisição de eletrodomésticos/ eletrônicos é feita fora da comunidade.

 

Breno Henrique Neves de Oliveira, 15 anos, nascido e criado no Salgueiro, é um personagem que se enquadra nesse perfil. Ele conta que depois da pacificação, muita coisa melhorou na comunidade, inclusive a variedade do comércio oferecido.

 

- Faço as compras mais básicas por aqui, como recarga de celular, comida, além de produtos para o cabelo. São coisas que são vendidas na cidade, mas que você pode comprar na comunidade por um bom preço - afirmou Breno.

 

Ele disse que o Salgueiro mudou muito depois da chegada da UPP. E destaca que, antes da pacificação, só motociclistas da própria comunidade subiam o morro transportando passageiros, os taxistas tinham medo.

 

- Nós não podíamos voltar de madrugada, porque tinha o perigo de tiroteio. Agora posso sair e voltar na hora que quiser. Não troco o Salgueiro por nenhum outro lugar, quero me estabelecer aqui.

 

A boa fase do comércio no Salgueiro incentivou Breno a fazer um curso de cabeleireiro, e agora, já formado, ele também oferece seus serviços aos moradores da comunidade. A mãe do adolescente, Monique Cristina Martins Nascimento Neves, que também é cabeleireira, estimula a iniciativa.

 

O coordenador do Centro de Referência da Juventude (CRJ) do Alemão, Daniel Moura diz que a maior parte dos jovens também acha que a comunidade ficou mais segura e com mais variedade de comércio. Eles preferem fazer compras dentro do Alemão, porque ali eles encontram uma grande variedade de produtos, principalmente nas feiras livres.

- Eles têm o mesmo perfil econômico dos jovens do asfalto e compram de tudo aqui na comunidade. Mas a maior parte das compras são jogos eletrônicos (que eles adquirem em grande quantidade), roupas alimentação e recarga de celular.




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