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Gabriel Lobo


Hupe inova com primeira enfermaria de cuidados especiais à reabilitação de pacientes pós-Covid


O que acontece depois que um paciente internado com Covid-19 testa negativo? Em geral, quem acabou de enfrentar a doença quer receber alta e ir para casa. Mas muitos apresentam um quadro clínico que requer uma atenção especial em prol de uma simples palavra: reabilitação. Atento a esta frágil etapa do combate à enfermidade, o Hospital Universitário Pedro Ernesto da Uerj (HUPE), unidades vinculadas à Secretaria de Ciência, Tecnologia e inovação (SECTI) foi o primeiro da rede pública do Rio de Janeiro a criar enfermarias Pós-Covid-19, que hoje já somam 29 leitos. O objetivo é atender pacientes que ficaram internados em CTI e que, após o tratamento, mesmo sem a presença do vírus, não têm condições clínicas ou mesmo estruturais para retornarem a suas casas.
 
 
A ideia surgiu em maio, quando foi aberta a primeira enfermaria com 13 leitos. A iniciativa foi tão positiva que, na segunda semana de junho, o hospital destinou mais 16 leitos para o atendimento. A enfermeira Ana Paula Motta, chefe da Seção de Enfermagem 313/314 Pós-Covid, enfatiza que o espaço é fundamental para a reinserção destas pessoas na rotina social. “A importância aqui é a reabilitação para que eles assumam plenamente suas atividades na volta ao convívio social, na família, no trabalho, no lazer”, define.
 
 
Ana Paula conta que o perfil dos atendidos é bastante eclético. “Já tivemos pacientes de 16 a 103 anos”, lembra a profissional, destacando que a média de idade tem sido entre 40-80 anos. No local, eles recebem cuidados de uma equipe multidisciplinar com médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, fonoaudiólogos e assistentes sociais, além de suporte psicológico. “O atendimento transpassa todos os tipos de reabilitação: alimentar, física, psicossocial, clínica”, completa a enfermeira. Nesta fase, também às famílias já é permitido fazer a visita.
 
 
O médico André Paes, um dos responsáveis pelo atendimento na Enfermaria 313/314, ressalta o empenho da equipe em dar respaldo à recuperação completa de internados já bastante fragilizados, após a doença. “Com este serviço nós temos condições de propiciar o máximo rendimento dos cuidados para acelerar a recuperação destes pacientes e permitir a volta para casa o mais rápido possível”, resume.
 
 
Esta volta foi o que Maria José Bastos, de 100 anos, comemorou. Ela foi uma das primeiras pacientes da Enfermaria 313/314 Pós-Covid. No dia 4 de junho, recebeu alta – uma vitória para a equipe, que se despediu da paciente com aplausos. Entre lágrimas de emoção, Maria disse apenas o que estes profissionais mais queriam ouvir: “Obrigada”.