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Grupo de Foguetes da Uerj é aprovado em edital e obtém auxílio financeiro e acadêmico inédito


O Grupo de Foguetes do Rio de Janeiro (GFRJ), projeto de extensão da Faculdade de Engenharia (FEN), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), vinculada da secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI), vem escrevendo o nome da Universidade nos céus do Brasil e do mundo desde 2016. Após as conquistas em competições internacionais, em 2018 e 2019, o reconhecimento mais recente foi a concessão de suporte financeiro e acadêmico pela Fundação de Ciência, Aplicações e Tecnologia Espaciais (Funcate) – instituição de apoio do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e de outras instituições brasileiras – para dar continuidade ao seu projeto de motor híbrido e bancada de testes.

 

“Para concorrer ao edital de Apoio aos Grupos de Foguetes Acadêmicos da Funcate, desenvolvemos, no final de 2020, um projeto básico, incluindo desenhos, listas de materiais e o planejamento físico-financeiro de um motor híbrido e da base de testes estáticos para pesquisas. A Uerj foi uma das quatro universidades brasileiras com grupos de foguetes acadêmicos contempladas com o auxílio financeiro na categoria”, comemora Gil Roberto Vieira Pinheiro, professor do Departamento de Engenharia Eletrônica e Telecomunicações da Faculdade de Engenharia da Uerj e coordenador do GFRJ.

 

A seleção dos projetos contou com um Comitê Julgador composto por oito especialistas de renome nacional e internacional, entre professores, agentes públicos e profissionais atuantes na área espacial. 

 

O auxílio financeiro será de R$ 10 mil, para aplicação ao longo de 2021. O recurso custeará parte do projeto do motor híbrido, que contará com outras fontes de financiamento e o apoio de empresas parceiras. É o caso, por exemplo, da verba já concedida pela Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj). Segundo Pinheiro, o recurso será utilizado na realização de ensaios e pesquisas a fim de dominar a tecnologia e testar inovações no projeto, que faz parte da Missão Orion – responsável pelo estudo e desenvolvimento de motores híbridos, no âmbito do Grupo de Foguetes, com equipes de Propulsão, Estruturas, Aviônica e de Modelagem Teórica.

 

O secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação, Dr. Serginho, ressalta a importância do incentivo aos alunos na área. “O envolvimento, a curiosidade e o desbravamento dos alunos neste desafio revigoraram a área da ciência, tecnologia e inovação. A SECTI parabeniza toda a equipe e destaca que o resultado só reforça o empenho, a responsabilidade e o estudo investigativo assumido pelos alunos. Iremos apoiar e ajudar a formar profissionais de alto nível, empreendedores e inovadores, contribuindo para o desenvolvimento tecnológico do país”, destacou o secretário. 

 

O domínio das tecnologias envolvidas num motor híbrido é crucial, como forma de valorização e profissionalização das equipes do Grupo de Foguetes. Além disso, o funcionamento dos motores híbridos é mais seguro, reduzindo a probabilidade de acidentes. O motor híbrido também possui uma performance muito superior aos motores sólidos usados por grupos universitários, permitindo a construção de foguetes para altitudes maiores. A propulsão híbrida facilita ainda o deslocamento da equipe do GFRJ em viagens para a participação em competições nacionais e internacionais, transportando o foguete desmontado e de maneira totalmente segura.

 

Além do motor, a base de testes estáticos permitirá realizar diversas pesquisas, tais como: a formulação de combustíveis, injetores de oxidante, sistemas de controle de combustão, válvulas de controle de injeção, software para automação e controle, entre outros.

 

O coordenador do projeto explica ainda que, para 2021, o cronograma da Missão Orion prevê, no primeiro semestre, “a modelagem teórica, o projeto de detalhamento do motor e da base de testes, a aquisição de materiais e peças, entre outras etapas”. Já no segundo semestre, o plano é “começar os testes estáticos do motor híbrido, nas instalações do GFRJ, na Uerj”. A situação da pandemia pode impactar o planejamento e segue sob monitoramento do Grupo de Foguetes, da Funcate e do Inpe. “Esperamos que a disponibilização de vacinas possibilite a realização das atividades com segurança”, salienta Pinheiro.

 

Motor híbrido para foguetes: a importância para a Uerj e para ciência brasileira

 

A propulsão híbrida é um grande salto tecnológico para equipes universitárias, como o GFRJ, demandando um conjunto de conhecimentos e tecnologias, em diversas áreas da engenharia (mecânica, propulsão, mecânica de fluidos, química, instrumentação, automação, eletrônica e tecnologia de materiais). Por meio dessa inovação tecnológica, o Grupo de Foguetes almeja alcançar voos cada vez mais altos.

O tema é atual e oferece oportunidades futuras para pesquisas, elaboração de trabalhos de graduação e pós-graduação em várias áreas de engenharia em uma integração disciplinar, seja internamente, na Faculdade de Engenharia da Uerj, como em conjunto com outras universidades e grupos de pesquisas na área. 

 

O sucesso dos foguetes da Uerj

 

O Grupo de Foguetes já obteve importantes resultados em pouco mais de quatro anos de existência, tendo como objetivos a participação em competições de foguetemodelismo, a realização de pesquisas voltadas ao setor aeroespacial e sua divulgação para todo o Brasil.

 

Em 2019, o grupo conquistou o primeiro lugar na LASC-2019, no apogeu de 3Km (saiba mais na matéria publicada no Portal Uerj). Já em 2018, o GFRJ participou de sua primeira competição internacional, a Spaceport America Cup, alcançando o 3º lugar na categoria 10.000 pés (3.048m), com motor desenvolvido pela equipe com o foguete ATOM. Vale a pena conferir esta importante conquista no Minuto Uerj (TV Uerj – CTE).

 

O desempenho do grupo também foi destaque na imprensa. O canal Globo News veiculou reportagens sobre os êxitos obtidos nas competições em 2018 e 2019.

 

Conheça mais sobre o Grupo de Foguetes e seus projetos no site http://www.gfrj.uerj.br/