Burle Marx
Biografia
Burle Marx
A história do paisagismo brasileiro se confunde com a vida de Roberto Burle Marx. Ele integra o grupo de notáveis que contribui para modificar, a partir de 1930, as artes, a arquitetura, a engenharia e o paisagismo no país.
Roberto Burle Marx nasceu em São Paulo, em 1909.Ainda menino muda-se para o Rio de Janeiro, cidade que adota como morada, até o final da vida, em 04/07/1994. Aos 19 anos, em curso de especialização de desenho, na Alemanha, Burle Marx encanta-se com as plantas tropicais em visita ao Jardim Botânico de Dahlen. Quando retorna ao Rio de Janeiro, inicia pesquisa da flora brasileira e passa a cultivar, colecionar, e classificar mudas na encosta do morro atrás da sua residência.
O primeiro trabalho do iniciante em paisagismo é resultado de encomenda do arquiteto e amigo Lúcio Costa. Utilizando seus conhecimentos de artista plástico ele revoluciona, projetando o jardim com a estética da pintura abstrata, substituindo as cores dos pincéis pelo cromo das plantas. A inovação de Burle Marx, utilizando plantas tropicais em seus trabalhos, em princípio, não é bem aceita pelos seguidores do estilo europeu. Nos jardins brasileiros predominavam azaléias, camélias, magnólias e nogueiras.
Burle Marx acompanha o processo humanista que as artes assumem a partir dos anos 30 e a revolução que experimenta a arquitetura mundialmente. Seu estilo segue a linha da escola alemã Bauhaus, que agrega todas as transformações mundiais.
Neste período, um grupo de jovens arquitetos e artistas brasileiros, seguidores da corrente francesa liderada por Le Corbusier, entre eles, Oscar Niemayer, Lúcio Costa e o naturalizado Affonso Eduardo Reidy, destacam-se no cenário nacional.
A arquitetura brasileira passa a utilizar
materiais
alternativos como o aço, o vidro e concreto o que, praticamente, obriga mais
arrojo no entorno de suas obras. O paisagismo precisa acompanhar a tendência
inovadora. Burle Marx passa, então, a percorrer o país em busca incessante
de novas espécies da flora brasileira. O “homem jardim”, por força de suas
pesquisas, transforma-se em botânico autodidata. É o primeiro a chamar a
atenção para a necessidade do homem preservar o meio ambiente. A natureza
passa a ser religião. O verde, uma obsessão.
Apesar da dedicação ao paisagismo, Burle Marx é um artista completo. Pau pra toda obra, ele também adquire projeção como pintor, designer, arquiteto, artista plástico e tapeceiro. Como hobby, ainda canta música lírica, para os mais íntimos. Mas o carro chefe de sua obra é mesmo o paisagismo. É com ele que atinge notoriedade internacional. Seus projetos espalham-se pelos cinco continentes.
Apesar do sucesso mundial a sua paixão sempre foi o Brasil, em especial, o Rio de Janeiro. Suas obras estão espalhadas pelos cartões postais da cidade; Largo da Carioca, orla do Leme, calçadão de Copacabana, jardins suspensos do outeiro da Glória e em sua menina dos olhos, o Aterro do Flamengo.
O artista assina ainda obras conjuntas com Oscar Niemayer e Lúcio Costa como o Parque da Pampulha, em Minas Gerais, os jardins de Brasília e os do Parque Ibirapuera, em São Paulo.
Com Affonso Eduardo Reidy ele divide talvez o único projeto habitacional popular. O Complexo do Pedregulho, no conjunto Prefeito Mendes de Moraes, em São Cristóvão, Zona Norte do Rio de Janeiro. Burle Marx é o responsável pela proposta humanista de integração do espaço externo aliado ao habitat dos apartamentos dos prédios. Além do paisagismo ele presenteia a comunidade com sua criatividade, instalando um painel na escola pública do conjunto. No centro de atividades, dotado de instalações médicas, piscina olímpica e quadras de esporte, um outro painel destaca-se pela grandiosidade de um outro artista; Cândido Portinari empresta maestria ao empreendimento, onde brilham as estrelas de Reidy e do eterno Burle Marx.