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    Dedicação no DNA: pai e filho bombeiros compartilham experiências


    Por Carolina Perez

     

    Os bombeiros militares subtenente Aurélio e tenente Bruno, além de colegas de farda, compartilham os mesmos laços sanguíneos: são pai e filho. Mais do que a mesma profissão, eles dividem histórias e um orgulho mútuo por integrarem o Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro.

     

    Foram cerca de 28 anos de dedicação no Grupamento de Busca e Salvamento, responsável pelo socorro imediato às vítimas de acidentes de trânsito, desabamentos, resgates em soterramentos, entre outros. Durante este período, o subtenente Aurélio colecionou relatos que, constantemente, eram divididos com a família.

     

    - Entrei no Corpo de Bombeiros em 1991 e, sempre que era possível, o Bruno me acompanhava nas atividades, nas competições e aniversários da corporação. Era comum que nosso grupamento fizesse apresentações e ele sempre assistia e até participava, simulando as vítimas que seriam socorridas. Ele cresceu, mas jamais imaginei que meu filho viesse a escolher a mesma profissão que a minha e se tornar Bombeiro Militar – disse Aurélio, de 54 anos que está na reserva.

     

    Para ele, ter um filho que divide a mesma profissão é motivo de orgulho:

     

    - Hoje, ver meu filho ser oficial de uma corporação tão prestigiada, que é o Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, é gratificante demais. Fico feliz em vê-lo se dedicando à profissão – disse.

     

    Inspiração de pai para filho

     

    Bruno lembra das ocasiões em que o pai estava de serviço. As datas comemorativas nem sempre eram celebradas com a família completa, mas por um bom motivo.

     

    - Desde pequeno, lembro do meu pai saindo para trabalhar, muitas vezes sem data ou hora para voltar. Muitas vezes, era véspera de Natal ou Ano Novo, época de ficar com a família e amigos. Mas, eu sabia que ele estava indo na esperança de ajudar e aliviar o sofrimento de uma outra pessoa. E, hoje, sou eu quem saio de casa com esse mesmo objetivo. A inspiração vem muito do meu pai – descreveu o tenente Bruno, que ingressou como Bombeiro Militar aos 20 anos, prestes a completar 21.

     

    Pai e filho escolheram a profissão por amor à corporação e ao sentimento de ajudar quem mais precisa em momentos de tragédia.

     

    - Cresci frequentando o Corpo de Bombeiros ao lado do meu pai. Durante os treinamentos, participava nas simulações como vítima e já sentia a adrenalina. Isso foi aumentando cada vez mais a vontade de ser bombeiro. Hoje, é a realização de um sonho e sempre me lembro de um socorro que fiz em que a pessoa quando me viu, disse que a última esperança dela tinha chegado. Nada paga essa sensação de trabalhar com que se gosta – detalhou o tenente.

     

    O pai faz coro com o filho e, mesmo na reserva, se lembra com carinho do período em que atuava no Grupamento.

     

    - Quando a gente trabalha com aquilo que gosta e ama o que faz, a gente se doa para a corporação. Sentia um bem-estar tão grande ao chegar em casa, que compartilhava com a família as histórias de salvamentos, onde fizemos a diferença na vida de alguém e demos esperança em um momento em que era mais preciso. Vejo que o Bruno está seguindo os meus passos e hoje ele entende o que é ser do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro – finalizou o militar.